sábado, 7 de setembro de 2013

Arqueólogos revelam segredos das pirâmides da ilha do Pico

Uma das 140 pirâmides estudadas pelos arqueólogos na Madalena do Pico. Foram todas construídas em pedras basálticas de origem vulcânica conhecidas por biscoitos. Algumas chegam a ter 13 metros de altura (o equivalente a um prédio de habitação de quatro andares) e câmaras no seu interior.

Uma das 140 pirâmides estudadas pelos arqueólogos na Madalena do Pico. Foram todas construídas em pedras basálticas de origem vulcânica conhecidas por biscoitos. Algumas chegam a ter 13 metros de altura (o equivalente a um prédio de habitação de quatro andares) e câmaras no seu interior. Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA)


Complexo de pirâmides com praça cerimonial

Os resultados das primeiras sondagens arqueológicas das estruturas que terão sido construídas antes da chegada dos portugueses aos Açores são apresentados hoje.

Anzóis, pontas de metal, ossos, conchas, pesos de redes de pesca, utensílios feitos de basalto, carvões e fragmentos de peças de cerâmica, foram descobertos nas primeiras sondagens arqueológicas autorizadas pelo Governo Regional dos Açores (Direção Regional da Cultura) às misteriosas estruturas piramidais da Ilha do Pico.

As pirâmides estão quase todas concentradas numa área de 6 km2 no concelho da Madalena, junto à costa oeste da ilha dominada pela montanha mais alta de Portugal (2351 metros) e a divulgação pública das descobertas é feita hoje às 21h00 numa conferência na Câmara da Madalena. 

As sondagens foram feitas por Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito, que estão entusiasmados com os depósitos de artefactos antigos que encontraram, e que tudo indica serem muito anteriores à data da descoberta dos Açores pelos portugueses (1427).

Mas os dois arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), que estão a ser apoiados pela Câmara Municipal da Madalena, têm um vasto trabalho de prospeção pela frente: há dezenas de pirâmides no local, que chegam a atingir 13 metros de altura, o equivalente a um prédio de habitação de quatro andares. Mas para já estudaram 140, algumas destruídas ou parcialmente derrubadas por sismos ou pela ação humana.

A tradição baseada na memória popular e os poucos estudos etnográficos existentes indicam que "estas estruturas, conhecidas por maroiços, datam dos séculos XVII a XIX, justificando-se a sua construção pela necessidade da limpeza dos solos para a agricultura", explica Nuno Ribeiro. De facto, a palavra maroiço significa monte de pedras associado à limpeza de terrenos agrícolas.

Estruturas semelhantes no Mediterrâneo

Mas esta explicação não convence o presidente da APIA, porque "existem várias edificações com mais de dez metros de altura, seguindo a mesma orientação geográfica". E porque no território português "não encontramos esta opção arquitetónica em mais nenhum local". Em contrapartida, "há paralelos arquitetónicos com regiões do Mediterrâneo - na ilha da Sicília junto ao Monte Etna, por exemplo".

Anabela Joaquinito conta que quando foram mostradas à população da Madalena fotos das construções da Sicília, "disseram que eram iguais aos maroiços". A arqueóloga que estudou a indústria lítica (tecnologia de trabalho da pedra) e é diretora do Departamento de Pré-história da APIA, sublinha que há outros indícios arquitetónicos da origem pré-portuguesa das pirâmides do Pico, como "a existência de degraus e a decoração com pináculos no topo". No topo de uma das construções estudadas foi também encontrado um piso circular que parece ser a base de uma habitação.

Uma das estruturas é um complexo arquitetónico que inclui edifícios piramidais organizados de forma a criar uma grande praça. "Esta organização do espaço não pode ser explicada apenas através da limpeza dos terrenos, pois terá envolvido um grande planeamento e um trabalho coletivo que demorou alguns anos a construir, seguindo sempre o mesmo projeto arquitetónico", argumenta Nuno Ribeiro.

"Mais espantoso é o facto de estas estruturas obedecerem às mesmas orientações das outras pirâmides, com aparentes motivações astronómicas e sugerindo rituais funerários", acrescenta o arqueólogo. 

"Sinto-me no México"

"Sinto-me no México", garantiu Romeo Hristov, arqueólogo da Universidade do Texas em Austin (EUA), quando visitou os maroiços do Pico em abril passado. Hristov pertence à corrente académica que defende a existência de contactos regulares entre as antigas civilizações do Mediterrâneo e da América.

"As estruturas do Pico são muito perfeitas, implicam uma enorme quantidade de trabalho que não se justifica apenas pelas necessidades da atividade agrícola", considera o arqueólogo. Por outro lado, "há uma orientação astronómica rigorosa, rampas de acesso e escadas associadas ao conceito de estrutura sagrada".

E no complexo "que liga vários edifícios piramidais encontram-se elementos comuns a pirâmides em todo o mundo, como uma praça ampla para cerimónias". Mas uma conclusão definitiva sobre a origem das estruturas "vai depender das escavações arqueológicas, que são fundamentais".

E também "das datações dos materiais encontrados que forem feitas em laboratório", esclarece Anabela Joaquinito. A arqueóloga explica ainda que algumas destas pirâmides têm câmaras no seu interior e uma delas foi objeto de sondagens arqueológicas. "A câmara é pequena e o corredor de acesso demasiado estreito e longo, não seria prática para quaisquer usos agrícolas".

Regularidade na orientação das pirâmides

"O que mais me impressionou foi a regularidade da orientação das pirâmides do Pico, embora acredite que nem todas foram construídas na mesma época. Esta regularidade é evidente no mapa com a sua localização feito pela Câmara da Madalena", afirma por sua vez Fernando Pimenta.

O diretor do Departamento de Arqueoastronomia da APIA usou ferramentas de informação geográfica nesta primeira investigação e concluiu que a maioria das pirâmides está orientada no sentido sudeste/noroeste.

Sudeste é a direção do vulcão da ilha do Pico e noroeste corresponde ao ocaso do sol no solstício de verão, que acontece sobre a ilha do Faial, muito próxima do Pico. Quanto às restantes pirâmides, têm uma orientação perpendicular às primeiras.

Fernando Pimenta admite que "parece ser intencional - e não apenas uma coincidência - a orientação geográfica das construções e a escolha do local para a sua implantação".

Uma concentração tão grande de pirâmides num intervalo tão pequeno de azimutes (o azimute é a medida regular do horizonte contada a partir do norte geográfico) e com esta regularidade, significa que há intencionalidade, "mas claro que esta conclusão não é tão definitiva, do ponto de vista estatístico, como seria se as estruturas estivessem espalhadas por toda a ilha e não apenas concentradas numa pequena área do concelho da Madalena".

O arqueoastrónomo adianta também que as regras de orientação "parecem obedecer a princípios que incorporavam algum ritual relacionado com o solstício de verão".

"Defesa da verdade histórica"

Entretanto, o presidente da Câmara da Madalena salienta que "o envolvimento do município neste processo é norteado pelo forte empenho na defesa da verdade histórica e na necessidade de conhecer e preservar as raízes do nosso povo", o que "é do interesse de todas as instituições, sejam elas científicas, políticas ou outras, incluindo o Governo Regional dos Açores".

Mas a prova definitiva da origem pré-portuguesa das pirâmides "terá de ser obtida através de uma datação clara e inequívoca dos materiais encontrados", insiste José António Soares, reconhecendo que a comprovação de todos estes achados permitirá novas oportunidades de desenvolvimento turístico.

"Não queremos apagar a história açoriana mas sim acrescentar algo à história já conhecida e, se possível, enriquecê-la com os novos dados disponíveis", acrescenta o autarca.

fonte: Expresso

Investigadores descobrem que Ricardo III morreu com lombrigas


Ricardo III foi Rei de Inglaterra de 1483 a 1485, ano em que morreu


Amostras das ossadas de Ricardo III mostram que o ex-Rei de Inglaterra sofreu com parasitas intestinais que poderão ter tido mais de 30 centímetros, antes de morrer.

Os investigadores que descobriram as ossadas de Ricardo III num parque de estacionamento em Leicester, Inglaterra, em fevereiro, divulgaram hoje um trabalho que prova que o rei inglês que morreu em 1485 tinha lombrigas no estômago na altura da morte, que poderão ter atingido mais de 30 centímetros de comprimento.

A equipa liderada por Piers Mitchell, da Universidade de Cambridge, retirou amostras do solo na zona do pélvis do ex-Rei inglês, onde estariam os intestinos, assim como amostras do solo junto ao crânio e na sepultura.

Depois de efetuados vários testes, os investigadores concluíram que Ricardo III tinha parasitas nos intestinos aquando da sua morte, segundo o trabalho publicado no  jornal médico "The Lancet".

"Encontrámos vários ovos de parasitas no solo, na zona onde estariam os intestinos. Não havia quaisquer parasitas na zona do crânio e apenas vestígios mínimos na restante sepultura. Isto mostra que o número significativo de ovos naquela zona tinha mesmo de ser dos intestinos de Ricardo III e não se tratou de uma contaminação posterior à sua morte", explicou Piers Mitchell, citado pela BBC.

Os parasitas que infestam o corpo humano usam-no para se manterem vivos e se alimentarem, 'roubando' a comida que vai sendo ingerida. Contudo, os parasitas não terão afetado de forma grave a vida do ex-Rei inglês, uma vez que Ricardo III tinha uma dieta bem nutrida, pelo que provavelmente só terá sentido uma forte tosse seca, sendo muito difícil para os médicos diagnosticarem a causa concreta do problema.

Na época medieval, os parasitas eram comuns, devido à falta de higiene de parte da população, mesmo da mais nobre, uma vez que a contaminação dos alimentos poderia surgir facilmente através de contacto com restos fecais, pela falta de limpeza das mãos, por exemplo.

A 'reconstrução' de Ricardo III

Ricardo III de Inglaterra morreu a 22 de agosto de 1485, aos 32 anos, na Batalha de Bosworth, que colocou um ponto final na Guerra das Rosas, luta dinástica pelo trono de Inglaterra entre as casas de York e de Lancaster, que durou 30 anos (1455-1485). Depois de morto, o seu corpo terá sido exibido pelas ruas de Leicester, desconhecendo-se o local onde teria sido sepultado.

Mais de 500 anos depois da sua morte, em fevereiro deste ano, uma equipa de historiadores e arqueólogos conseguiu localizar o seu túmulo numa igreja destruída no reinado de Henrique VIII (1491-1547), no centro de Leicester, onde entretanto tinha sido construído um parque de estacionamento.

A equipa de investigadores conseguiu mesmo reconstruir o rosto de Ricardo III, através da sua caveira.

fonte: Expresso

É uma teia, um fungo ou um bicho? Ninguém sabe




O estudante Troy Alexander descobriu no Peru uma teia aparentemente desconhecida e publicou a fotografia no Twitter

Um estudante publicou no Twitter uma fotografia tirada no Peru que está a deixar a comunidade científica sem respostas.

Pode ser uma teia, uma espécie de casulo em construção, uma aranha ou até um fungo. Para já, estas são algumas das hipóteses avançadas por cientistas para explicar a... 'coisa' encontrada por Troy Alexander na Amazónia peruana.

O estudante do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos EUA, estava de visita ao Peru, no início de junho, quando descobriu várias estruturas circulares, com dois centímetros de diâmetro e semelhantes a uma teia, em árvores na reserva natural de Tambopata.

Desde então, publicou as fotografias da sua descoberta online, tanto no Twitter como no Reddit , em busca de respostas. Estranhamente, não conseguiu descobrir que organismo era aquele, aumentando as hipóteses de se tratar de uma nova espécie.

Igualmente intrigada, a revista "Wired" foi à procura de soluções, mas não encontrou nenhuma. "Não faço ideia do que fez isso, nem sequer do que é isso", disse William Eberhard, entomologista do Smithsonian, à publicação.

"Já vi a fotografia, mas não faço ideia que tipo de animal terá sido responsável por isso", admitiu Norm Platnick, especialista em aranhas, do Museu de História Natural dos EUA.

A entomologista Gwen Pearson apontou para a possibilidade de ser uma estrutura de tipo de traças (Bucculatricidae), mas sem certezas. "Estamos todos a adivinhar. Mas não temos nenhuma ideia. E essa é a minha opinião científica", gracejou. Para já, mantém-se o mistério.

fonte: Expresso

Descoberto na África do Sul fóssil de escorpião com 350 milhões de anos



Um fóssil de um escorpião com 350 milhões de anos, o mais velho animal terrestre que viveu no supercontinente Gondwana, foi descoberto na África do Sul, anunciou hoje a Universidade de Witswatersrand, em Joanesburgo.

A espécie, batizada como "Gondwanascorpio emzantsiensis", é a mais antiga forma de vida alguma vez encontrada em terra firme, no hemisfério sul, informou a universidade, em comunicado.

O escorpião, cujo fóssil foi descoberto perto de Grahamstown, na província da Cidade do Cabo, viveu no fim do período Devoniano (na escala de tempo geológico, é o período da era Paleozoica do éon Fanerozoico que está compreendido entre 416 milhões e 359 milhões de anos atrás, aproximadamente).

Há 600 milhões de anos, o Gondwana era um supercontinente, situado sobretudo no hemisfério sul, que reagrupava as actuais América Latina, África, Antártida, Península Arábica e o subcontinente indiano. Começou a dividir-se em vários continentes no período Jurássico, há 160 milhões de anos.

Segundo Robert Guess, professor do Instituto de Estudos da Evolução na Universidade de Witswatersrand, não havia, até agora, "qualquer prova" de que Gondwana "tivesse sido habitado por animais invertebrados naquela época".

Os primeiros vertebrados, dos quais descenderam os mamíferos, logo os humanos, apareceram há cerca de 350 milhões de anos.

A vida na Terra surgiu nos oceanos, antes de "colonizar" o solo, pouco a pouco, a partir de 420 milhões de anos, primeiro com plantas e, depois, com animais invertebrados.

Formas semelhantes de vida, mais antigas, foram descobertas noutro supercontinente, Laurásia, que reagrupava as actuais Ásia, Europa e América do Norte.

"Sabemos agora que, no fim do período Devoniano, tanto Gondwana como Laurásia tiveram um ecossistema terrestre complexo, com invertebrados e plantas e dotado de todos os elementos necessários à vida de vertebrados terrestres, que apareceram perto desta época ou pouco depois", assinalou o investigador Robert Guess.

fonte: Sol online

Pescador encontra 15 moedas romanas





Moedas terão cerca de 2000 anos.

Jason Hemmings, um pescador de 41 anos, encontrou 15 moedas romanas com 2000 anos na região de Owermoigne, no Reino Unido.

Jason tinha acabado de comprar um detetor de metais a um amigo e foi testá-lo num descampado, quando começou a sentir o aparelho a detetar algo debaixo do solo. Descobriu a primeira moeda e no dia seguinte encontrou as restantes. Apesar do valor financeiro ser de apenas umas centenas de euros, a descoberta é considerada historicamente importante.

Eleanor Ghey, especialista do Museu Britânico, afirma que é provável que as moedas tenham caído de um soldado quando os romanos estiveram no país e que, por isso, “é uma descoberta muito entusiasmante”.

Na época, o montante das moedas daria para comprar a comida de um soldado para uma semana.


Mergulhadora coloca mão dentro de tubarão


Momento em que mergulhadora coloca mão dentro da boca do tubarão

Animal tinha um anzol preso na boca.

Cristina Zenato, uma famosa mergulhadora italiana conhecida como ‘encantadora de tubarões’, desafiou todos os perigos e colocou a mão dentro da boca de um tubarão para retirar um anzol que estava preso.

A mergulhadora não temeu ser atacada pelo animal, que não esboçou qualquer tentativa de ataque, como se pode ver no vídeo.
fonte: Correio da Manhã

Da Guerra Fria, com amor: fotografias da Lua, de Vénus, Marte e Júpiter publicadas online


Detalhe de fotografia da Terra tirada pelo primeiro Lunar Orbiter, em 1966 NASA/UCL

O University College de Londres disponibilizou em alta resolução parte do arquivo de imagens e mapas do seu departamento de astronomia.

Em 1966, a União Soviética estava a ganhar a corrida espacial. O primeiro satélite a ser lançado para o Espaço tinha bandeira vermelha. O primeiro homem em órbita, também. Mas, naquele ano, os EUA deram início ao programa Lunar Orbiter e posicionaram-se para o mais alto momento da disputa – a alunagem da missão Apollo 11, em 1969.

As cinco sondas não-tripuladas que os EUA enviaram para a Lua no âmbito do programa Lunar Orbiter, entre 1966 e 1967, foram importantes para fazer o reconhecimento do satélite da Terra e para o sucesso das futuras alunagens. Foi nesse processo que se tiraram as primeiras fotografias da Terra a partir da Lua. Uma delas foi agora disponibilizada online, em alta resolução, pelo University College de Londres (UCL). Não é caso único.

O arquivo de imagens e mapas que a UCL decidiu colocar online, no âmbito do Festival dos Planetas, que acontece na capital britânica de 8 a 13 de Setembro, inclui outras raridades. Além da fotografia retirada do conjunto de imagens captadas pela primeira Lunar Orbiter, em 1966, há ainda fotografias de Vénus, Marte e Júpiter.

Os créditos repartem-se pela NASA e pela agência espacial soviética. As fotografias da superfície de Vénus, onde os EUA nunca pousaram, são um feito soviético. São de 1982 e fazem parte do arquivo da UCL – uma das sete instituições de fora dos EUA para as quais a NASA enviava imagens antes dos dias da Internet – porque, apesar de toda a competição astronómica vivida durante a Guerra Fria, os dois lados trocavam informação entre si.

As fotografias de Marte são norte-americanas. Foram tiradas em 1972 (Mariner 9) e 1976 (Viking 1). Assim como os mosaicos de imagens das luas de Júpiter, obras do objecto feito por seres humanos que mais longe viajou no nosso sistema solar, o Voyager 1. São publicadas como nos originais, de 1979, sem o tratamento que agora se dá às imagens desta sonda, que continua a percorrer o Espaço e que se estima que atinja o meio interestelar em 2015.

Por último, é uma peça britânica que merece a atenção dos cibernautas, que passam a poder descarregar todas estas peças em alta resolução. É um mapa da lua desenhado em 1910 por Walter Goodacre, muito detalhado, que em papel tem 1,78 metros de comprimento. Na versão digital, passou a ser uma imagem com 400 megapixéis.

fonte: Público

Humanos e tuberculose: uma relação com 70.000 anos ainda longe do fim


A vaga de resistências da bactéria da tuberculose aos antibióticos é um novo capítulo desta história MANUEL ROBERTO

Três estudos sobre a tuberculose revelam novos genes com mutações ligadas à resistência aos antibióticos. Um quarto trabalho mostra que bactéria já infectava o Homo sapiens antes da sua saída de África

Muito antes de ser tornar popularizada pelo movimento romântico no século XIX, a tuberculose já era uma praga antiga. Hoje, apesar de todos os avanços na medicina, há determinadas estirpes da Mycobaterium tuberculosis que se tornaram resistentes a muitos antibióticos. Três artigos publicados ontem na Nature Genetics, onde se mapeiam as mutações genéticas que conferem resistência ao bacilo e onde se mostra que a progressão desta resistência se dá passo a passo, trazem novas ferramentas para uma luta mais eficaz. Uma quarta investigação, na mesma revista, coloca a origem desta doença há 70.000 anos, em África.

Anualmente, continuam a morrer entre um e dois milhões de pessoas com tuberculose. Esta doença costuma demorar seis meses a ser curada. As pessoas que apanham uma bactéria adaptada aos antibióticos podem só conseguir livrar-se dela ao fim de três anos e algumas tomam antibióticos até ao fim da vida.

Há estirpes com diferentes níveis de resistência. A tuberculose multi-resistente não reage aos dois principais antibióticos de primeira linha - isoniazida e rifampicina -, mas é susceptível aos antibióticos de segunda linha, mais tóxicos e menos eficazes. A tuberculose extensivamente resistente, como é designada, além daqueles dois, não reage a um dos três antibióticos de segunda linha.

A equipa liderada por Megan Murray, da Escola Médica de Harvard, em Boston, nos EUA, é responsável por um dos dois artigos sobre as regiões dos genomas onde se dão adaptações aos antibióticos. Estes cientistas analisaram novas mutações no ADN de mais de 120 estirpes da bactéria, provenientes de todo o mundo, e que têm diferentes tipos de resistência. A equipa descobriu alterações em 39 genes novos associados a uma elevada resistência aos fármacos.

"Muitos destes genes estão ligados à regulação da parede celular das bactérias, já que muitas classes de fármacos atacam essa parede. As mudanças desta estrutura ou alterações no seu metabolismo poderão conferir resistência a uma grande variedade de químicos", sugere Maha Farhat, outra autora do artigo.

Um terceiro estudo observou a sequência de mutações sofridas pela Mycobaterium tuberculosis até se tornar resistente ao etambutol, outro antibiótico contra a tuberculose. "O nosso estudo contradiz a crença comum de que as resistências aos fármacos são causadas por uma mutação num único passo", escreve a equipa de David Alland, da Escola Médica de New Jersey, nos EUA.

"Nunca olhámos para o genoma total de tantas estirpes da bactéria da tuberculose", frisa o investigador Miguel Viveiros, especialista em tuberculose do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa. Para o cientista, esta é a grande mais-valia destes trabalhos, que possibilitarão, no futuro, um diagnóstico mais acertado das estirpes de bactérias dos doentes de tuberculose. "Com uma análise genética, podemos estudar o bacilo [de um doente] e ver qual o seu perfil de resistência para aplicar o tratamento mais acertado, em vez de ser por tentativa e erro", avança o cientista, que não esteve envolvido nos estudos naNature Genetics.

Apesar de os dados serem provisórios, os casos de tuberculose para 2012 em Portugal - 21,6 por 100.000 habitantes - aproximam-nos dos países com baixa prevalência (abaixo dos 20 casos por 100.000 habitantes). Mas o combate duro que se enceta desde a década de 1980 contra esta doença ajudou ao aparecimento de formas resistentes.

Para Miguel Viveiros, esta nova vaga de resistências é o mais recente capítulo de uma história que agora se provou ser muito mais antiga, como conclui o quarto artigo, de Iñaki Comas, do Centro de Investigação de Saúde Pública em Valência, Espanha. A equipa analisou a genética de 259 estirpes do bacilo, depois comparou--as com a história da espécie humana, e concluiu que oHomo sapiens transporta o bacilo há 70.000 anos, ainda antes da sua saída de África para se espalhar pelo planeta.

Ao longo do tempo, a bactéria adaptou-se quer a uma densidade populacional baixa, quer a um contexto de mais gente. "Grandes aglomerados humanos com poucas condições de higiene, má nutrição e mau arejamento" das casas são sempre uma receita para a bactéria se tornar mais letal, remata Miguel Viveiros.

fonte: Público

Virgin Galactic volta a quebrar a barreira do som



A empresa espacial do multimilionário Richard Branson, a Virgin Galactic, realizou na quinta-feira com êxito o segundo voo de teste do veículo suborbital SpaceShipTwo (SS2), que quebrou a barreira do som.

Branson explicou no blogue da sua empresa que o voo da sua nave comercial serviu para testar o funcionamento do sistema das asas que permite ao veículo reentrar na atmosfera de forma controlada e aterrar como um avião.

Virgin Galactic volta a quebrar a barreira do som

Branson explicou que o voo comercial serviu para testar o sistema das asas

O teste teve lugar no aeroporto do deserto de Mojave, no sul da Califórnia, e durou 30 minutos.

O SpaceShipTwo quebrou a barreira do som apesar de ascender apenas 21 quilómetros sobre a superfície terrestre.

Branson anunciou que a sua empresa bateu o recorde de altura para um voo de um veículo comercial com asas.

A Virgin Galactic pretende iniciar viagens turísticas suborbitais em 2014, experiência que custará cerca de 250 mil dólares (cerca de 190 mil euros).

Cerca de 630 pessoas já reservaram um lugar e a empresa já arrecadou mais de 80 milhões de dólares (61 milhões de euros) em depósitos.


Fotógrafo amador "apanhou" monstro do Lago Ness

Mystery: This bizarre picture of an unexplained phenomenon was taken from the shore of Loch Ness


David Elder, fotógrafo amador de 50 anos, acredita ter conseguido fotografar e filmar o mítico monstro do Lago Ness, na Escócia.

David Elder estava perto de Fort Augustus, no norte da Escócia, quando fotografou e filmou a mítica criatura do Lago Ness, segundo noticiou o "Daily Mail".

"Pelo canto do meu olho direito, apercebi-me de algo negro na água, formando uma onda semelhante às que são formadas por um barco. Estou convencido que aquilo foi causado por um sólido objeto negro submerso. A água estava totalmente quieta naquele momento e não havia qualquer outra atividade na água", descreveu o fotógrafo amador ao jornal britânico.


Cápsula tenta resolver o mistério do crepúsculo lunar

full moon 300x225 Coincidencia poco usual…


A agência espacial norte-americana NASA lançou com êxito esta noite, a partir de uma ilha na costa da Virginia, uma cápsula robótica que orbitará a Lua para resolver um mistério de cinco décadas: os crepúsculos lunares.

A sonda chamada Explorador de Atmosfera e Ambiente de Pó Lunar (LADEE na sigla em inglês) tem o tamanho de um automóvel compacto, pesa 383 quilos e partiu, como programado, às 04:27, hora de Lisboa, da instalação da NASA em Wallops Island, acoplada num foguete Minotaur V, usado pela primeira vez para este tipo de missões.

Um dos propósitos da missão, indicou a agência espacial, é determinar se há pó lunar no alto da atmosfera da Lua.


Descoberto maior vulcão do mundo no Pacífico


Fotografia © W. Sager / Universidade de Houston

Uma equipa de cientistas norte-americanos, da Universidade de Houston, anunciou a descoberta do maior vulcão a nível mundial. O vulcão é submarino e cobre uma área de aproximadamente 310 mil km quadrados.

De acordo com o artigo publicado na Nature Geoscience por William Sager, líder da equipa, o vulcão Tamu Massif é do tipo submarino e localiza-se a 1,6 km ao leste do Japão. No seu ponto mais alto fica a mais de dois quilómetros abaixo da superfície do oceano.

Ao contrário dos montes submarinos mais vulcânicas, que são íngremes e têm, normalmente, não mais do que algumas dezenas de quilómetros de diâmetro, o Tamu Massif abrange uma área de 310 mil quilómetros quadrados. Aproximadamente a mesma área que as Ilhas Britânicas.

William Sager acredita que, embora este seja o maior vulcão já descoberto até agora, é provável que existem outros maiores, também no Pacífico, mas que ainda se encontram por descobrir.


Fóssil de dinossauro quase completo revelado na Lourinhã




O paleontólogo Octávio Mateus anunciou hoje a descoberta, no litoral sul do concelho da Lourinhã, daquele que deverá ser o esqueleto mais completo em todo o mundo de um dinossauro carnívoro com 150 milhões de anos.

"É seguramente o dinossauro mais completo que temos em Portugal e um dos mais completos do Jurássico Superior em todo o mundo e isso vai permitir estudar como os dinossauros evoluíram e como, neste caso, deram origem às aves", afirmou à agência Lusa Octávio Mateus, investigador do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

A descoberta tem de ser ainda confirmada em laboratório e há expectativas de ser uma nova espécie, mas o paleontólogo acredita tratar-se de um celurossauros, um grupo de dinossauros carnívoros de pequeno porte, com menos de dois metros de comprimento, do Jurássico Superior (150 milhões de anos), raros em Portugal.

Trata-se de um novo dinossauro descoberto na Lourinhã, local representativo a nível mundial do Jurássico Superior.

Na campanha de escavações deste verão do Museu da Lourinhã, que terminou no final de agosto, o paleontólogo deparou-se com "um dinossauro com o esqueleto quase completo desde os ombros à anca, com as costelas muito bem conservadas e todos os ossos articulados, e ainda com a zona do joelho e uma pata".

"É invulgar no Jurássico Superior da Lourinhã, porque normalmente descobrimos um ou outro osso isolados e, quando descobrimos mais material, está desarticulado", explicou Octávio Mateus, acrescentando que mesmo a nível mundial os celurossauros, sendo raros, "eram conhecidos por dentes e ossos isolados"

"Portanto este é o primeiro celurossauro articulado", concluiu.

Nas escavações, a equipa do museu descobriu também pegadas de dinossauros saurópodes, ornitópodes e pterossauros, uma das quais com 120 centímetros, sendo por isso "uma das maiores que se conhece", além da mandíbula de um mamífero raro.

A campanha reuniu uma dezena de voluntários do museu.


Edífício de Londres está a derreter carros






A chamada torre Walkie Talkie está a dar que falar por causa dos estragos que provocou na rua. A luz do sol que nele incide reflete tanto calor que derrete peças de carros, incendeia tapetes e estrela ovos.

O dono de um Jaguar é um dos queixosos. Martin Lindsay estacionou o carro na rua Eastcheap e quando voltou encontrou várias peças derretidas, nomeadamente o espelho retrovisor e o logotipo do jaguar. A culpa era do edifício Walkie Talkie, situado no número 20 da Fenchurch Street, cuja fachada em vidro reflete os raios de sol com grande intensidade.

As empresas proprietárias do prédio de 160 metros, ainda em construção, prometeram pagar os estragos no valor de 1113 euros, mas por medida de precaução decidiram suspender o estacionamento em três locais ali perto. Ao mesmo tempo, anunciaram que iriam investigar o fenómeno.

Investigação feita, a Land Securities e a Canary Whark concluíram que a situação se deve à elevada posição do sol no céu, a qual acontece durante cerca de duas horas por dia e que se deverá prolongar por duas ou três semanas.

Passageiro ou não, os residentes e comerciantes da zona receiam os raios solares, que chegam a ser tão fortes e de tal forma concentrados em determinados pontos que já deram início a um incêndio num tapete. Houve até quem experimentasse estrelar um ovo numa frigideira colocada sobre a tijoleira. E resultou.


Homens portugueses cresceram 8 cm em 70 anos


A média de alturas dos homens europeus subiu 11 centímetros entre 1870 e 1980, graças a melhorias nas condições de saúde no continente. No caso dos portugueses, dos quais só há dados a partir de 1911, a subida foi de cerca de 8 cm.

Os homens portugueses mediam em média 164 cm em 1911 e 172 em 1980. Dados anteriores são escassos, pelo que não são tidos em conta.

Os resultados foram publicados num estudo do jornal Oxford Economic Papers e, contrariamente ao esperado, os resultados mostram que a média de alturas continuo a acelerar no período entre as duas Guerras Mundiais e a Grande Depressão, quando a pobreza, o racionamento dos alimentos e as dificuldades dos conflitos poderiam ter limitado esse crescimento.

"Aumentos na estatura humana são um indicador chave das melhorias nas condições de saúda das populações", disse Timothy Hatton, professor na Universidade de Essex, no Reino Unido, que liderou o estudo.

O estudo mostra que a altura média dos homens europeus subiu de 167 cm para 178 cm em pouco mais de um século, o que sugere que um ambiente de melhor saúde e menos doenças é "o factor mais importante que origina um aumento na altura".

O estudo analisa dados de 15 países europeus sobre a altura média de um homem aos 21 anos. Os primeiros dados são da década de 70 do século XVIII. Só foram analisados dados dos homens porque informações históricas sobre as mulheres são mais difíceis de encontrar.


'Curiosity' mostra como é um eclipse do Sol em Marte


O robot 'Curiosity' virou a sua máquina fotográfica para o céu a 17 de agosto, para captar o momento em que a maior lua de Marte, Phobos, passava frente ao Sol.

A imagem agora divulgada pela NASA é uma montagem de três fotografias diferentes, tiradas com uma diferença de apenas três segundos. É possível ver a forma irregular de Phobos, a maior das duas luas do Planeta Vermelho, no momento em que passa frente ao Sol.

O robot Curiosity está na superfície de Marte desde agosto de 2012. A sua missão, de dois anos, destina-se a determinar se o planeta tem ou alguma vez teve os ingredientes necessários para a criação de vida.


Descoberto tubarão que caminha no fundo do mar



Uma nova espécie de tubarão, que se desloca no fundo do mar usando as barbatanas como se fossem uma espécie de patas, foi identificada junto a uma das ilhas do arquipélago indonésio das Molucas.

A revelação da existência desta nova espécie de tubarão foi por um especialista australiano, Gerald Allen, e a sua equipa que o descobriram nas águas junto da ilha de Ternate, tendo sido designado como "tubarão de Halmahera".

Este tipo de tubarão recorre às suas barbatanas pélvicas e peitorais para se movimentar no fundo do mar, ao mesmo tempo que contorce o corpo.

O tubarão mede cerca de 80 centímetros de comprimento, sendo designado em latim por Hemiscyllium halmahera, apresenta manchas brancas e castanhas por quase todo o corpo e é inofensivo para os humanos. É mais ativo durante a noite, quando se desloca pelo oceano em busca de peixes e mariscos para se alimentar.

Outros tubarões semelhantes têm sido descobertos no passado, estando agrupados na família dos tubarões bambu.

A descrição da espécie e dos trabalhos de investigação foram publicados no International Journal of Ichthyology, n.º19.


Gelos da Gronelândia escondem desfiladeiro gigante


Um desfiladeiro de pelo menos 750 quilómetros de comprimento e 800 metros de profundidade (em algumas zonas) foi descoberto debaixo do gelo da Gronelândia, graças a observações por satélite feitas pela NASA, indicaram investigadores da Universidade de Bristol.


Esta formação geológica é comparável ao Grand Canyon, moldado pelo rio Colorado, nos EUA. É provavel que já existisse antes de o gelo ter coberto a Gronelândia, durante os últimos milhões de anos.

"A nossa descoberta mostra que há ainda muitas coisas para descobrir no nosso planeta", afirmou o professor Jonathan Bamber, da Escola de Ciências Geográficas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, principal autor da investigação.

Os cientistas usaram milhares de quilómetros de dados de radares de avião e satélite recolhidos pela NASA, a agência espacial norte-americana, investigadores britânicos e alemães ao longo de várias décadas.

Ao analisar todos os dados, os investigadores descobriram que o desfiladeiro se estende praticamente desde o centro da Gronelândia até à extremidade norte, terminando num fiorde profundo no oceano Ártico.

Segundo os cientistas, o desfiladeiro desempenha um papel essencial no transporte das águas subglaciares do interior da calota de gelo até ao oceano.

Mesmo antes de a Gronelândia estar coberta de gelo, há pelo menos quatro milhões de anos, tudo indica que o desfiladeiro formava parte de um importante sistema fluvial que transportava água do interior da ilha até à costa.

O trabalho desta equipa de investigação foi financiado por um programa da União Europeia intitulado ice2sea e pelo Conselho Britânico para a Pesquisa Ambiental.


Investigador defende que "somos todos marcianos"


A vida nasceu na Terra graças a um metal proveniente de Marte, que chegou ao nosso planeta num meteorito, segundo uma nova teoria apresentada pelo investigador norte-americano Steven Brenner.

O ingrediente vital para a vida na Terra foi uma forma oxidada de molibdénio, um metal utilizado atualmente em ligas usadas no fabrico de ferramentas de bricolage ou coroas dentárias.

Mas na época em que a vida apareceu na Terra, este molibdénio serviu para impedir que as moléculas de carbono - fundamentais a todas as formas de vida - se deteriorassem e acabassem em alcatrão, defende Steven Brenner, professor no Instituto Westheimer para a Ciência e a Tecnologia em Gainesville, nos EUA.

"Só quando o molibdénio está fortemente oxidado é que se torna capaz de influenciar a formação de uma vida primitiva", precisa Brenner, que apresentou hoje a sua teoria numa conferência internacional consagrada à geoquímica em Florença, em Itália.

"Esta forma de molibdénio não poderia estar presente na Terra na altura em que os primeiros elementos da vida apareceram, porque há três mil milhões de anos a superfície da Terra não continha muito oxigénio, ao contrário de Marte", explica.

Na altura, a Terra era constantemente bombardeada por cometas e asteróides. Tal como Marte, o que explica como é que detritos marcianos foram projetados no espaço e acabaram no nosso planeta, atraídos pelo campo de gravidade.

Análises recentes efetuadas a um meteorito marciano mostraram a presença de molibdénio e boro, um metaloide que terá contibuído para proteger da corrusão o ARN (ácido ribonucleico), um percursor primitivo do ADN (ácido desoxirribonucleico).

"Parece que acumulamos provas de que, na realidade, somos todos marcianos e que a vida começou em Marte antes de vir para a Terra a bordo de uma rocha", resume Brenner.

"Foi um golpe de sorte, porque a Terra é de longe o melhor dos dois planetas para albergar a vida. Se os nossos hipotéticos antepassados marcianos tivessem ficado em Marte, talvez não estivessemos lá para o contar", conclui o investigador.

Outras teorias explicam o aparecimento de vida na Terra pela água trazida por cometas, compostos por gelo e poeiras cósmicas resultado da formação do sistema solar.

Outra hipótese, batizada de "panspermia", sugere que as batérias transportadas em asteróides acabaram por cair na Terra e aproveitaram o facto de aqui existirem oceanos quentes para se multiplicarem.


Tecido cerebral humano feito a partir de células estaminais


Um grupo de cientistas anunciou hoje ter usado células estaminais para produzir tecido cerebral humano para utilizar no estudo de doenças e do desenvolvimento inicial do mais complexo dos órgãos.

Utilizaram as células estaminais para criar aquilo a que chamaram "organoides cerebrais" - gotas do tamanho de uma ervilha de tecido cerebral em três dimensões numa placa de Petri, com características do tecido cerebral embriónico inicial.

Este avanço poderá reduzir a dependência dos cientistas do cérebro do rato, que é um modelo pobre para investigação de doenças humanas e respetivos tratamentos, escreveu a equipa na revista Nature.

"O desenvolvimento do cérebro humano é muito diferente do desenvolvimento, por exemplo, do cérebro do rato", disse o coordenador do estudo, Juergen Knoblich, da Academia das Ciências Austríaca, numa conferência de imprensa.

A tecnologia deverá ajudar os biólogos a estudar características "especificamente humanas" do desenvolvimento e doença do cérebro humano, afirmou.

Espera-se também que este método permita aos investigadores "testar medicamentos diretamente num cenário humano e, assim, evitar experiências em animais e obter melhores resultados que sejam mais facilmente transferíveis para doentes humanos", referiu Knoblich.

Os investigadores da área das células estaminais fizeram progressos ao criarem tecido em três dimensões de outros órgãos humanos, incluindo o coração e o fígado, mas o cérebro permanecia esquivo.

A equipa de Knoblich utilizou células estaminais pluripotentes, que podem ser impelidas a transformar-se em qualquer tipo de célula do corpo, para criar células neuronais que se "auto-organizaram" em organoides com até quatro milímetros de tamanho. Estas sobreviveram durante vários meses num bio-reactor giratório.

"O sistema de cultura em três dimensões desenvolve uma variedade de regiões cerebrais que são capazes de se influenciar mutuamente", lê-se num sumário do estudo.

"Os tecidos formam-se em camadas e apresentam uma organização semelhante à das primeiras fases do desenvolvimento de um cérebro humano", prossegue o texto.

As células neuronais estavam "ativas", de acordo com Knoblich.

"Estas estruturas não são apenas objetos laboratoriais peculiares", declarou Oliver Bruestle, do Centro Vida e Cérebro da Universidade de Bona, num comentário ao estudo.

"Os organoides recriam os passos iniciais da formação do córtex cerebral do cérebro humano e, por isso se prestam a estudos sobre o desenvolvimento cerebral e doenças neurodegenerativas", observou.

Mas apesar do seu extraordinário potencial, Bruestle considerou que o sonho científico de criar "um cérebro numa placa" permanece inalcançável.

Os organoides que mimetizam as diferentes regiões do cérebro foram aleatoriamente distribuídos e falta-lhes a forma e a organização no espaço do cérebro humano.

Como não têm sistema circulatório, o fornecimento de nutrientes e oxigénio é restrito, o que significa que os organoides só podem crescer até poucos milímetros de tamanho.

"Mesmo assim, o seu núcleo representa uma zona morta de células privadas de oxigénio e nutrientes", sustentou Bruestle.

Knoblich declarou que o método nunca se destinou a ser utilizado para produzir peças sobresselentes para um cérebro humano danificado e expressou dúvidas sobre se alguma vez poderia ser usado para tal fim, dada a complexidade estrutural do órgão.


Sonda chinesa vai pousar na Lua até ao final do ano


A China vai enviar, até final do ano, a primeira sonda espacial destinada a pousar na Lua, anunciou hoje a agência noticiosa oficial Nova China, citando uma agência governamental.

As fases de elaboração e de construção para a missão não-tripulada "Chang'e-3" estão terminadas e a missão "entrou oficialmente na fase de lançamento", anunciou a administração estatal para a Ciência, Tecnologia e Indústria.

O primeiro engenho chinês para pousar no solo lunar será lançado "no final deste ano", a partir do centro espacial de lançamento de satélites Xichang, precisou a Nova China, citada pela agência noticiosa francesa AFP.

Na mitologia chinesa, 'Chang'e' é o nome de uma mulher que vivia permanentemente na Lua, num palácio de jade. A China já tinha dado este nome a duas sondas espaciais de observação da Lua, lançadas em 2007 e 2010.

A conquista espacial é vista na China como um símbolo do novo poder do país e das ambições do Partido Comunista (PCC).

Em julho, a China concluiu com êxito a mais longa missão tripulada no espaço, a "Shenzhou X", que Pequim considerou "uma importante vitória na etapa" para a construção de uma estação espacial permanente chinesa, em 2020.


Identificada a estrela mais velha "gémea" do Sol


Uma equipa internacional de astrónomos identificou a estrela mais velha "gémea" do Sol, permitindo aos cientistas prever o que pode acontecer ao "astro-rei" quando chegar à sua idade, informou hoje o Observatório Europeu do Sul (OES).

A estrela em questão, a HIP 102152, situa-se na constelação de Capricórnio, a 250 anos-luz de distância da Terra.

Apesar de ter 8,2 mil milhões de anos, quase o dobro da idade do Sol, que tem 4,6 mil milhões de anos, é a estrela mais parecida com o "astro-rei".

A equipa, liderada por astrónomos da Universidade de São Paulo, no Brasil, fez novas observações usando o telescópio VLT do OES, organização da qual Portugal é um dos países-membros.

As novas observações "fornecem também uma primeira ligação clara entre a idade de uma estrela e o seu conteúdo em lítio", sugerindo adicionalmente que a HIP 102152 "tem planetas rochosos do tipo terrestre na sua órbita", adianta o OES em comunicado hoje divulgado.

Os astrónomos estudaram, além da HIP 102152, uma outra gémea solar, a 18 Scorpii, que é mais nova do que o Sol, e tem cerca de 2,9 mil milhões de anos.

Para tal, utilizaram o espetrógrafo UVES, montado no telescópio VLT, para separar a radiação nas suas componentes de cor, a fim de avaliarem com detalhe a composição química e outras propriedades das estrelas.

"Descobrimos que a HIP 102152 tem níveis muito baixos de lítio, o que demonstra claramente, e pela primeira vez, que as gémeas solares mais velhas têm efetivamente menos lítio do que o nosso Sol ou estrelas gémeas solares mais novas. Podemos agora ter a certeza de que as estrelas à medida que envelhecem destroem, de algum modo, o seu lítio", assinala TalaWanda Monroe, investigador da Universidade de São Paulo, citado no comunicado.

A equipa concluiu, também, que a estrela "gémea" do Sol mais velha "tem um padrão de composição química subtilmente diferente da maioria das outras gémeas solares, mas semelhante ao Sol".

As gémeas solares são estrelas raras, mas também as mais parecidas com o Sol: têm massa, temperatura e abundância química similares ao "astro-rei".


Achadas provas de água em partículas minerais na Lua


A agência espacial norte-americana (NASA) anunciou hoje que foram encontradas provas da existência de água em partículas minerais da superfície da Lua e que esta provém de fontes desconhecidas situadas nas profundezas do satélite da Terra.

Os investigadores usaram dados recolhidos pelo Instrumento de Mineralogia (M3) da NASA colocado a bordo da sonda Chandrayaan 1, da Organização de Investigação Espacial da Índia, e detetaram água magmática, isto é, que tem origem nas profundezas lunares.

Esta é a primeira vez que esta forma de água é detetada através de uma sonda que orbita a Lua.

Descobertas anteriores mostraram a existência de água magmática em amostras lunares recolhidas pelos astronautas do programa Apolo.

O instrumento M3 captou imagens da cratera Bullialdus, causada por uma explosão próxima da linha equatorial da Lua.

A NASA explicou que essa área interessa aos cientistas porque poderão quantificar melhor o volume de água que possa existir dentro das rochas devido à localização da cratera e ao tipo de rochas que contém.

A parte central da cratera é composta por um tipo de rochas que se forma profundamente dentro da crosta e do manto lunares.

Em 2009, o M3 forneceu o seu primeiro mapa mineralógico da superfície lunar e descobriu moléculas de água nas regiões polares da Lua.

Acreditou-se, então, que essa água seria uma capa fina formada pelo impacto do vento solar sobre a superfície lunar.

Mas a cratera Bullialdus está numa região pouco propícia para que o vento solar produza quantidades significativas de água na superfície.

"As missões da NASA, como o Prospetor Nuclear e o Satélite de Observação e Sensores de Crateras Lunares, e os instrumentos como o M3 recolheram dados cruciais que alteraram fundamentalmente a nossa ideia da existência de água na superfície da Lua", disse Pete Worden, diretor do Centro Ames de Investigação da NASA, em Moffett Field, Califórnia.

A deteção de água do interior da Lua a partir de uma observação orbital significa que os cientistas podem provar algumas das conclusões de estudos sobre amostras num contexto mais amplo, incluindo regiões distantes das analisadas nas missões Apolo.


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